A inteligência artificial está entrando em uma nova era, em que agentes cada vez assumem mais protagonismo na tomada de decisões. Mas será que as empresas estão preparadas para essa mudança? A provocação foi feita por Marcella Calfi, gerente de Marketing da Zoop, empresa do iFood, durante painel realizado nesta terça-feira (04) na Rio Innovation Week.
A executiva fez parte do painel “Agentes de IA: O futuro da inovação é executar, não apenas conversar”, que contou com moderação de José Henrique, fundador da Leadhunter, e participação de Karine Mansour, CEO da Mansour Consultoria.
Durante a conversa, os palestrantes discutiram como a evolução da inteligência artificial, dos chatbots para agentes capazes de executar tarefas de forma autônoma, exigirá que empresas adaptem sua infraestrutura, governança de dados e modelos de negócio.
Para Marcella, o uso de agentes ainda está em uma fase inicial, em que é possível usar a IA para preencher o checkout de uma compra, por exemplo. A segunda fase, de acordo com a executiva, é o agente executor ativo. “Eu dou o comando: Está aqui a minha lista, eu preciso comprar essa lista de material escolar, traz aqui todas as opções, gasta mais ou menos R$ 300. A inteligência me traz, eu aprovo, entro e imputo meus dados de pagamento”, explica.
As próximas etapas são aquelas em que os agentes já conseguem entender as necessidades do consumidor e sugerir a compra do material escolar, por exemplo, quando a época de volta às aulas se aproxima.
“E a última fase é a delegação total. Ela já sabe a idade do meu filho, já sabe o que consta na lista, compra tudo, resolve tudo para mim, só me avisa. E paga. E chega na minha casa”, diz a executiva.
O objetivo da Zoop é ser a infraestrutura por trás dessa evolução. Segundo Marcella, a ideia é que a empresa possa apoiar outras companhias a executarem essa automatização dentro dos LLMs.
“A gente vai conversar cada vez mais, e clicar cada vez menos”, afirma Marcella, que finaliza: “Muito do que a gente falou, da IA conversacional, da nova infraestrutura de compra, da inteligência artificial agêntica e autônoma executando por nós, é um convite para que vocês pensem se a empresa em que vocês trabalham está pronta para esse futuro”.
Durante o painel, Karine acrescentou que os desafios para acompanhar a evolução da IA atingem empresas de todos os segmentos, inclusive o de infraestrutura, como provedores de serviços de pagamentos, por exemplo. “Antigamente a gente fazia planejamento de infraestrutura para cinco anos. Hoje, a demanda triplica ou quadruplica em seis meses ou um ano. As empresas precisam se preparar para booms muito rápidos”, observa.
Diante de um cenário em que os próprios funcionários também adotam cada vez mais a IA como assistente de trabalho, as executivas também alertaram para a necessidade de as empresas protegerem seus dados e os de seus clientes e fornecedores.
Marcella destacou que a Zoop utiliza uma IA proprietária, justamente para evitar que os dados sejam compartilhados com LLMs externos. “Tem que pensar na governança de dados, senão você acaba colocando informações estratégicas para mercado”, alerta.
Apesar dos desafios enfrentados pelas empresas para correr atrás da evolução da IA, a executiva da Zoop aponta que, do lado do consumidor, existe disposição para integrar cada vez mais a inteligência artificial na jornada de pagamentos.
Segundo ela, uma pesquisa conduzida pela Zoop mostrou que 85% dos brasileiros ainda não conhecem o conceito de pagamento agêntico. Após entenderem como a tecnologia funciona, porém, 61% afirmaram que a adotariam. “O brasileiro é um early adopter de tecnologia e adora testar tecnologias novas”, diz.
O post Zoop: “A gente vai conversar cada vez mais e clicar cada vez menos” apareceu primeiro em Startups.
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