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Nova York avança contra terceirização de entregadores da Amazon

Redação Recifes
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Nova York avança contra terceirização de entregadores da Amazon
Foto: Jermaine Lewis / Pexels

Nova York se tornou palco de uma disputa entre o prefeito Zohran Mamdani e grandes empresas de distribuição após o democrata declarar apoio ao Delivery Protection Act, projeto que pretende exigir a contratação direta de trabalhadores responsáveis pelas entregas.

A proposta, que tramita no Conselho Municipal e já reúne mais de 30 patrocinadores, atinge principalmente o modelo usado por Amazon, FedEx e outras companhias, que terceirizam a entrega dos pacotes a empresas responsáveis por contratar e administrar os motoristas e entregadores.

O embate envolve, de um lado, sindicatos e defensores da medida, que associam a terceirização a condições precárias e dificuldades de organização trabalhista. Do outro, Amazon e representantes de empresas parceiras alertam para aumento dos custos, possível redução da velocidade das entregas e risco de deslocamento de operações para fora da cidade.

Projeto coloca terceirização de entregas no centro da disputa

A manifestação de Mamdani ocorreu na segunda-feira (10) e representa um dos primeiros grandes testes de sua disposição para confrontar interesses empresariais em defesa de trabalhadores de baixa remuneração. O prefeito chegou ao cargo com apoio dos Socialistas Democráticos da América e já havia participado de atos de trabalhadores sindicalizados e de manifestações de categorias em greve.

O projeto foi apresentado pela vereadora Tiffany Cabán, de Queens, e recebeu apoio do defensor público Jumaane Williams durante uma audiência do Comitê de Proteção ao Consumidor e ao Trabalhador, realizada em abril. Para os defensores da proposta, a mudança dificultaria que grandes companhias se afastassem de responsabilidades trabalhistas por meio de subcontratadas.

A questão ganha peso em uma cidade onde os serviços de entrega movimentam quase 1 bilhão de encomendas por ano. A utilização de empresas terceirizadas permite às grandes distribuidoras reduzir despesas com mão de obra e evitar parte das regras de remuneração mínima e benefícios que seriam aplicáveis aos empregados diretos, segundo os apoiadores da legislação.

A Amazon, porém, construiu uma frente empresarial para barrar a medida. A companhia reuniu entidades como câmaras de comércio e o Real Estate Board of New York, enquanto sindicatos estimam que a empresa tenha destinado mais de US$ 5 milhões à campanha contrária ao projeto, incluindo anúncios televisivos.

Um estudo encomendado por uma organização financiada pela Amazon calculou que a legislação poderia acrescentar até US$ 5,20 ao custo de cada pacote. O mesmo levantamento projetou um impacto anual de até US$ 664 por residência e classificou a proposta como uma ameaça à estrutura atual de distribuição da cidade.

A empresa também sustenta que a mudança poderia colocar em risco mais de 5 mil postos de trabalho ligados às empresas que fazem suas entregas. Em declaração citada pelo New York Times, a porta-voz Kelly A. Nantel afirmou que a companhia considera a legislação incompatível com seus compromissos com trabalhadores e pequenos parceiros locais e disse que a Amazon poderia avaliar a transferência das operações para fora de Nova York.

Os defensores da proposta contestam essa avaliação. O presidente do Joint Council 16 dos Teamsters, Thomas Gesualdi, considera que o momento representa uma mudança na relação entre governo municipal, trabalhadores e empresas. O sindicato pretende levar a campanha para outras cidades caso Nova York aprove a legislação, enquanto uma proposta semelhante já havia sido apresentada em Chicago.

A remuneração dos entregadores também aparece no debate. Segundo os dados apresentados no artigo, esses trabalhadores começam recebendo cerca de US$ 20 por hora em Nova York e têm remuneração média próxima de US$ 24. Um acordo firmado pelos Teamsters com uma contratada da Amazon na Califórnia estabeleceu aproximadamente US$ 30 por hora.

Relatos de trabalhadores ajudam a explicar a preocupação dos sindicatos. Luc Rene, motorista de vans da Amazon há quase quatro anos, afirmou que chega a transportar 400 encomendas em um dia e que já recebeu negativas ao pedir cargas menores durante períodos de calor intenso ou após tempestades de neve. A empresa não comentou especificamente as alegações, mas informou que costuma adaptar as rotas às condições climáticas.

Empresários que atuam como contratados da Amazon apresentam outra perspectiva. Rudy Cazares, proprietário de companhias que realizam entregas para Amazon e FedEx, argumenta que essas empresas parceiras continuam sendo responsáveis por decisões como contratação, demissão e promoção dos funcionários. Na avaliação dele, a discussão não deveria ser reduzida a uma disputa entre trabalhadores e uma grande corporação, pois pequenas empresas também dependem do atual sistema de distribuição.

O estudo produzido pela consultoria AKRF, financiado por uma organização ligada à Amazon, sustenta que a proposta poderia desestabilizar a rede de distribuição da cidade. O levantamento apontou ainda que 83% dos trabalhadores das instalações de última milha moram fora de Manhattan e que cerca de 80% são minoritários, argumento usado pelos opositores para questionar possíveis efeitos sobre comunidades de menor renda.

Caso o Conselho Municipal aprove a medida e Mamdani a sancione, Nova York poderá se tornar a primeira cidade americana a estabelecer regras específicas para essas operações de última milha, segundo os Teamsters. A decisão, portanto, ultrapassa a disputa entre prefeitura e Amazon e pode servir de referência para outras cidades e estados interessados em restringir o uso de trabalhadores terceirizados no setor de entregas.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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