O recuo da FIFA no plano de abrir espaço para um braço comercial ligado à Copa do Mundo expôs a fragilidade política de Gianni Infantino, mas não significa, por si só, o fim da sua gestão. O presidente da entidade continua no cargo e ainda opera com uma base relevante de apoio entre as federações, apesar do desgaste provocado pela proposta.
Na prática, o episódio deixou claro que a resistência ao dirigente cresceu, sobretudo em associações e confederações que enxergaram falta de transparência, consulta limitada e risco de transformar o torneio mais valioso do futebol em um ativo financeiro. O recuo da ideia foi uma vitória dos críticos, mas também uma tentativa de conter danos antes que a crise se ampliasse ainda mais.
Para Infantino ser realmente derrubado antes do fim do mandato, seria necessário algo maior do que a derrota de um projeto. A saída dependeria de uma perda consistente de apoio entre as 211 federações filiadas, ao ponto de inviabilizar sua permanência política no Congresso da FIFA, ou de algum procedimento formal previsto nas regras internas da entidade. Sem isso, o cenário mais provável é ele seguir até a próxima eleição.
O caso também mostra que, dentro da FIFA, poder e resultado financeiro continuam andando juntos. Mesmo sob forte contestação, Infantino ainda aposta na lógica de expansão, mais receita e distribuição de recursos para manter influência. O problema é que, depois dessa tentativa fracassada, sua margem para avançar sem resistência ficou menor e qualquer novo movimento terá de ser muito mais bem costurado.
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