Na semana em que completa 50 anos de atuação no Brasil, a C&A inaugurou ontem, 27 de agosto, sua primeira unidade na Avenida Paulista, endereço icônico de São Paulo, reconhecido por reunir pessoas, arte e inovação. Com mais de 2.000 m², o espaço adota o conceito Energia, que combina experiência, inspiração, conveniência e integração entre os ambientes físico e digital. Para Paulo Correa, CEO da rede varejista, a inauguração tem um significado especial por ocorrer na cidade que recebeu o primeiro empreendimento da companhia, em 1976, e que foi, ao longo de cinco décadas, um dos principais palcos de suas transformações. “A nova loja traduz justamente esse movimento de evolução constante”, afirma.
O projeto segue a linguagem arquitetônica desenvolvida pela Gensler, escritório britânico responsável pelo conceito original do Energia. O ambiente privilegia circulação mais fluida e uma apresentação de produtos que facilita a descoberta das coleções, com espaços organizados para diferentes universos da empresa e comunicação visual pensada para tornar a jornada de compra mais intuitiva. A unidade tem fornecimento completo de energia de fontes renováveis e outros diferenciais alinhados às práticas de ASG, como cortinas de jeans mais sustentável, sacolas de tecido reutilizável em vez das tradicionais, de plástico, piso de borracha reciclada nas áreas esportivas e um espaço dedicado ao Movimento Reciclo, iniciativa de circularidade da C&A.
Coleção circular é assinada por Gustavo Silvestre
A novidade também marca a primeira coleção em parceria com o designer Gustavo Silvestre, composta por peças 100% circulares e criadas a partir de jeans coletados pelo Movimento ReCiclo, programa de economia circular e logística reversa criado em 2017. Estilista e artista pernambucano, Gustavo é designer, artista têxtil, artesão e educador, conhecido pelo trabalho de inclusão social por meio da arte, da moda e da educação. Em 2015, criou o Projeto Ponto Firme, iniciativa voluntária que levou aulas de crochê para dentro do sistema prisional, inicialmente na Penitenciária Adriano Marrey, em Guarulhos (SP).
A parceria nasce de um olhar autoral construído em anos de pesquisa, customização e upcycling do denim. O primeiro encontro entre o estilista e a empresa ocorreu em março, quando Gustavo criou, a partir de calças pantalona e corsets da coleção de jeans da C&A, o vestido usado pela apresentadora Carol Ribeiro no tapete vermelho do Oscar 2026. Agora levado para a escala da varejista, o trabalho une a visão do profissional ao portfólio da marca em uma linha com calças oversized, peças cargo, microssaias, jaquetas e tops, desenvolvidos a partir de itens coletados nas urnas do Movimento Reciclo, que já arrecadou mais de 460 mil peças desde o lançamento.
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O programa dá diferentes destinos às roupas recolhidas. Depois de depositadas nas urnas, elas são levadas para um centro de distribuição da C&A, onde passam por triagem e classificação. As que estão em boas condições são encaminhadas a instituições parceiras para doação a pessoas e comunidades que precisam. Parte dos jeans é desfibrada e transformada em matéria-prima para a produção do Jeans Circular, fazendo a fibra retornar à cadeia produtiva. Já os itens sem condições de uso seguem para a Retalhar, onde passam por manufatura reversa: zíperes, botões e outros componentes são separados, enquanto os tecidos servem, inclusive, como material à indústria automotiva.
A escolha do jeans para a primeira coleção circular também dialoga com a trajetória da empresa. “Nesses 50 anos de C&A no Brasil, a marca se tornou referência em jeans”, afirma João Souza, VP Comercial da C&A. Para ele, levar a categoria para uma coleção 100% circular mostra que “circularidade e desejo cabem no mesmo produto” e que esse modelo pode ser desenvolvido em escala.
A expansão do parque de lojas integra a estratégia de crescimento, mas não significa uma aposta exclusiva nos ambientes presenciais. Durante a inauguração da unidade da Paulista, Cecília Preto Alexandre, CMO da C&A, ressaltou que o movimento está associado à solidez da empresa e, simultaneamente, à transformação dos pontos de venda já existentes. “Vamos crescer, mas entendendo que não é só o físico”, afirma. A executiva cita a parceria com o TikTok Shop como exemplo de integração entre diferentes canais e destaca que, enquanto novos endereços são inaugurados, os atuais também passam por atualizações.
A eficiência energética e a diversidade completam o conjunto de iniciativas que refletem o momento atual da varejista, com avanços em diversidade e redução do impacto ambiental. Segundo Maria Carolina Brasil Borghesi, vice-presidente de Gente, Cultura e ASG, as novas unidades incorporam medidas como “ar condicionados com energia de baixo carbono”, conta. Na frente de diversidade, a companhia também já alcançou resultados previstos para 2030: mais de 70% do quadro de funcionários em cargos de liderança são formados por mulheres, com forte presença de pessoas negras e indígenas. Para Borghesi, os avanços traduzem uma vocação da C&A e ajudam a definir os próximos passos da empresa.
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